quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Ouça no volume máximo #2

                Dando prosseguimento a seção “Ouça no volume máximo” hoje exploraremos o disco DOIS da Legião Urbana, lembrando que faço um breve resumo de cada álbum, através de informações coletadas em livros, revistas e na internet (sempre citando os créditos):

Legião Urbana - Dois
Período de Gravação: Janeiro a Março de 1986
Data de lançamento: 1986
Produzido por: Mayrton Bahia

                Já em 1985 a Legião Urbana iniciou os esboços do álbum “Dois”, que deveria ser duplo (com 25 canções) chamado "Mitologia e Intuição", porém o projeto foi recusado pela gravadora EMI. Um disco muito mais influenciado pelos Beatles do que o primeiro, mais punk.

Legião Urbana DOIS - Milton Kennedy

                Produzido em um ano de efervescência para o rock brasileiro, contemporâneo de "Cabeça Dinossauro", dos Titãs, e do primeiro Capital Inicial (que trazia músicas escritas por Renato para o Aborto Elétrico), “Dois” tem um estilo predominantemente folk que popularizaria a Legião, consolidando seu lugar de destaque no rock nacional.
                O ótimo disco é o que melhor combina lirismo (“Índios”, Andrea Doria), peso (Metrópole), grandes hits (Eduardo e Mônica, Quase sem Querer, TempoPerdido) e poesia (Acrilic on canvas). A propósito a letra desta canção tem uma força poética que independe da harmonia, isto é, a métrica dos versos permite que sejam recitados como se fosse um poema, sem a necessidade de um acompanhamento melódico.
                Considerado por muitos especialistas como o melhor disco do rock brasileiro, é o mais vendido da Legião. As letras de canções como “Índios”, fizeram Renato ser cultuado quase como um profeta, um líder messiânico, idéia essa que Renato Russo refutava veementemente, dizendo ser apenas um cantor que cantava o que as pessoas gostavam e queriam ouvir.

                Assista abaixo ao clip oficial da canção “Tempo Perdido”:


Curiosidades:
♫Quando a banda foi criada não havia registro do nome “Legião Urbana”. Renato Russo apenas legalizou a editora que administraria as suas canções, a ‘Corações Perfeitos’. Daí um espertalhão de Minas Gerais procurou o INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) para o registro da marca Legião Urbana. Como não havia ainda esta anotação, o órgão deu sequência ao processo. Com o auto em andamento, o malandro entrou em contato com a gravadora exigindo uma indenização (lembrando que na ocasião o grupo já era um sucesso). A solução encontrada por Renato foi registrar na Junta Comercial, a Editora ‘Corações Perfeitos’, e fazer constar como objetivo principal que a editora administraria todas as canções da Legião Urbana. Neste caso, a data de registro da ‘Corações Perfeitos’ era anterior a tentativa de registro do mineiro, dentro do INPI. O registro de uma empresa na Junta Comercial pode ser considerado como o primeiro registro de uma marca, assim o processo do mineiro foi cancelado. Detalhe: o advogado que atuou neste caso era também tio do vocalista.

♫A música “Índios” entrou no disco já na fase de mixagem e foi concebida para ser o hino do Clube da Criança Junkie (presidido pelo guitarrista Dado), uma espécie de paródia a programas de TV como os da Xuxa. Uma das idéias originais era que fosse cantada por um coral de crianças;

♫A amarga canção ‘Metrópole’ e ‘Música Urbana 2’ faziam parte do repertório do Aborto Elétrico;

♫O grande sucesso ’Eduardo e Mônica’ (da época do Trovador Solitário), de linguagem simples, cotidiana e sem metáforas, tinha 73 versos e era inspirada na amiga Leonice de Araújo Coimbra;

♫’Acrilic on canvas’ e ‘Plantas embaixo do aquário’ tinham até fitas ao contrário, truquezinho beatlemaníaco;

♫Poucos sabem, mas a música instrumental tocada no finalzinho de ‘Tempo perdido’ não faz parte desta canção. Trata-se de um cover da banda para ‘Juízo final’ de Nelson Cavaquinho e Élcio Soares. A Legião jamais a lançou em álbuns oficiais, e apesar de existir a versão de estúdio, alguns fãs possuem versões ao vivo desta raridade;

♫O LP vinha com 12 faixas, no entanto a fita cassete era completada por uma primeira versão para ‘Química’;

♫’Quase sem Querer’ trás referências a Ísis e Osíris, deuses mitológicos que se amavam muito e levaram o Egito a uma era de prosperidade. Seth (irmão deles) por invejava matou Osíris cortando-o em mil pedaços que espalhou pelo Egito. Isís, desesperada, recolheu quase todos os pedaços... “me fiz em mil pedaços pra você juntar”;

♫Renato possuía uma forma ‘pessoal’ de orientar os músicos: “essa nota deve soar azul”, dizia ele, e ai de quem não entendesse;

♫O clip de ‘Tempo perdido’mostrava imagens de ícones pop, como John Lennon, Janis Joplin, Jimi Hendrix, entre outros, só que jovens, alguns adolescentes ainda.

Crédito dos textos:
http://www.colapso.com.br;
http://www.legiaonaveia.com.br de Michel Zylberberg;
http://www.geocities.com/legiaolegiao de Fernando Ribeiro Ramos;
http://www.osoprododragao.com;
Livro ‘Renato Russo’ de Arthur Dapieve da série Perfis do Rio;
Revista Bizz.

Renato Russo (voz, teclados e violões), Dado Villa-Lobos (guitarras, violões), Renato Rocha (contrabaixo elétrico), Marcelo Bonfá (bateria, percussão)

Daniel na Cova dos Leões
Quase Sem Querer
Acrilic on Canvas
Eduardo e Mônica
Central do Brasil
Tempo Perdido
Metrópole
Plantas Embaixo do Aquário
Música Urbana 2
Andrea Doria
Fábrica
"Índios"

Já tem 1 comentário, uhuuuu!

elder lima disse...

É sem dúvida um clássico do nosso rock'n'roll!

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